Eu e os tomatinhos!

A alguns anos atrás, procurei minha mestra para conversar, estava sofrendo com o momento da minha vida, com decisões e atitudes que precisava tomar. Então, quando nos encontramos e eu falei à ela que estava com muitas dúvidas ela começou a rir, muito e alto, como ela costuma fazer, o que me deixou confuso e um pouco irritado.

Como ela estava rindo do meu sofrimento? Pensei.

Percebendo minha confusão ela falou:

– Tu está com dúvidas, isto não me surpreende, aliás, ter dúvidas é algo que te define muito bem, talvez seja tua mola propulsora e isto não é a causa do teu sofrimento, mas a ansiedade que elas estão te causando agora.

Como sempre, minha mestra, jogou luz num horizonte obscuro, e me ajudou a organizar o cenário que passei a ver, acho que este é o papel dos mestres, o problema é que a minha ri de mim, se diverte e ainda fala que eu deveria fazer o mesmo, ser mais leve, distensionar. Deixe estar, um dia aprenderei e rirei com ela.

Mas, tudo isto foi para falar sobre meus tomatinhos, ou melhor, sobre a resposta que meus tomatinhos me trouxeram para acalmar minha duvidas atuais, minha falta de entendimento e de paz.

Algumas vezes, acreditamos muito em alguma coisa, colocamos energia, trabalho e tempo na realização de um projeto, fazemos isto com persistência, amor, resiliência e simplesmente não acontece, ou não realiza o potencial que acreditávamos ser possível.

Então minhas amigas vêm, as duvidas, com força total.

Desta vez, meus mestres estão sendo um pequeno canteiro de tomatinhos que plantei no meu jardim, que neste momento estão lindos, o que esta me deixando muito feliz, já que a 2 anos tento plantar tomates aqui em casa e somente acumulo fracassos.

O insight que tive, que iluminou minha mente como minha mestra faz, foi que os projetos são em parte nossos, mas em parte não. Mesmo quando estamos sozinhos num caminho, temos como coprodutor o imponderável, o mistério, a consciência superior, enfim, como tu queira chamar isto que rege o mundo quando ele escapa das nossas mãos.

Posso me dedicar por anos aos meus tomates, comprar as sementes ou as mudas melhores, preparar o melhor canteiro, com a adubação adequada, a luz perfeita e a irrigação impecável, o que certamente vai facilitar o meu sucesso, mas não me garante nada. Tem os insetos, as doenças, o frio, o calor, etc…

Entendi, que como meus tomatinhos, todos os meus projetos pessoais precisam também contar com a ajuda do imponderável para acontecer, precisam desta coprodução, que sem ela eles não acontecem, e também como os tomatinhos, amadurecem no tempo certo, quando estão prontos, no tamanho e na doçura que conseguirem.

Ao produtor cabe fazer a parte dele e controlar a ansiedade, o que não é fácil para mim, mas tenho o yoga para me ajudar, que felizmente o “imponderável” colocou na minha vida.

Namaste.

 

 

 

Consciência pelo Movimento

Este é o nome é de um livro que gosto muito, de Moshe Feldenkrais, engenheiro israelense, que estudou os movimentos corporais profundamente, e desenvolveu um método de correção postural que tem tanta importância que ficou conhecido como “Ioga Ocidental”, e, é largamente utilizado por terapeutas físicos e psicoterapeutas.

Porque trouxe este assunto aqui, por que como tantos, sou fã deste cara! Admiro muito a visão dele!

Nesta semana lendo um artigo de uma grande referencia da neurociência, professor alemão Konrad Kording, cresceu ainda mais minha admiração por Moshe, pois o famoso cientista traz confirmações com seus estudos para seu trabalho.

Olhem o que diz Feldenkrais:

“Cada um de nós fala, se move, pensa e sente de modos diferentes, de acordo com a imagem que tenha construído de si mesmo com o passar dos anos.”

Até aí nada de novo, criamos nossa autoimagem e ela guia nossas atitudes.

“Para mudar nosso modo de ação, devemos mudar a imagem própria que esta dentro de nós.”

Aqui já despertou minha curiosidade, mas ele se torna leitura indispensável quando fala:

“Nossa autoimagem consiste de quatro componentes que estão envolvidos em toda a ação: movimento, sensação, sentimento e pensamento… estão presentes em todas as ações, …influenciam e são influenciados um pelo outro.”

Definitivo para mim.

Ele acaba escolhendo o componente movimento, para desenvolver seu método e comprovou, que através da reeducação postural, a pessoas aprimoraram sua autoimagem e evoluíram também com relação à percepção do mundo, de seus sentimentos e pensamentos.

Aqui, vejo minha mestra yoga falando para seu atento aluno, “yoga é uma ação psicofísica, pratique com amor, entrega e disciplina e evoluirá em todos os aspectos da vida.”.

 

Namaste

O VALOR DE UM GRUPO

Dizem que para irmos rápido é melhor irmos sozinhos, mas para irmos mais longe melhor irmos em grupo. Concordo muito com está sabedoria popular, que consegui comprovar no decorrer da vida, por isto ensino a yoga e as práticas corporais de uma forma que todos possam praticar sozinhos, porque acredito que devemos buscar a independência do ser, mas recomendo que seja buscada a aproximação de outras pessoas que tenham os mesmos ideais para ajudar a manter a chama acesa, como fala o texto abaixo.

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Incluo um texto que guardei, mas infelizmente não tenho o autor para dar o crédito.
*O VALOR DE UM GRUPO*
Um homem, que assiduamente comparecia as reuniões de um grupo de amigos, sem comunicar a ninguém, deixou de participar de suas atividades.
Depois de algumas semanas, um amigo, integrante desse grupo, decidiu visitá-lo.
Era uma noite muito fria.
O amigo o encontrou na sua casa, sozinho, sentado diante da lareira, onde o fogo estava brilhante e acolhedor.
Adivinhando o motivo da visita do seu amigo lhe deu as boas vindas, e aproximando-se da lareira lhe ofereceu uma cadeira grande em frente à chaminé e ficou quieto, esperando.
Nos minutos seguintes, houve um grande silêncio, pois os dois homens somente admiravam a dança das chamas em volta dos troncos de lenha que queimavam.
Depois de alguns minutos, o amigo examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente escolheu uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para fora do fogo.
Sentando-se novamente, permaneceu silencioso e imóvel.
O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e também quieto.
Dentro de pouco tempo, a chama da brasa solitária diminuiu, até que após um brilho discreto e momentâneo, seu fogo se apagou em um instante mínimo.
Dentro de pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um frio, morto e preto pedaço de carvão, recoberto de uma camada de cinza espessa.
Nenhuma palavra tinha sido pronunciada desde a protocolar saudação inicial entre os dois amigos!
Antes de preparar-se para ir embora, o amigo, movimentou novamente o pedaço de carvão já apagado, frio e inútil, colocando-o novamente no meio do fogo.
Quase que imediatamente voltou a desprender-se uma nova chama, alimentado pela luz e o calor das labaredas dos outros carvões em brasa e ao redor dele.
Quando o Amigo se aproximou da porta para ir-se embora, seu anfitrião lhe disse:
*OBRIGADO PELA SUA VISITA E PELO BELÍSSIMO SERMÃO……*
Retornarei ao grupo de AMIGOS que muito bem me faz …

Homem de fases

Homem de fases

 

Chegando aos meus 34 anos, me deparei com um final de ciclo, uma necessidade de mudança, uma ruptura que precisava ser posta em prática.

Nos 10 anos anteriores tinha me abandonado, gradativa e inconscientemente. Assumindo papel de pai, empresário, e demais papéis que se esperam de um homem adulto. Trabalhando muito, dormindo pouco, comendo mal e irregularmente e bebendo, muitas vezes demais.

Consegui construir um corpo em desespero. Sedentário e acima do meu peso ideal. Com crises de enxaqueca e dores imobilizantes nas costas.

O fato que me fez mudar o rumo da prosa foi uma contratura na região lombar que me impedia de caminhar, dirigir, enfim, ter uma vida normal.

Recorri a uma grande amiga, especialista em terapias ayurvedas, que depois de algumas semanas de tratamento arrumou minhas costas e ainda me ajudou a perceber que precisava dar mais atenção para meu corpo, minhas emoções e o equilíbrio entre todos os aspectos da vida. Além disso, me convidou para fazer com ela um curso de yoga, me mostrou o folheto, imersões de 1 final de semana por mês, por 2 anos. Pensei, será? Mas fui.

Grande atitude a minha. A yoga me trouxe a descoberta do corpo, da respiração, da meditação e da capacidade de viver melhor, com mais saúde e disposição. Comecei a trilhar um caminho mais saudável, que me trouxe novos aprendizados e grandes descobertas pessoais. Formei-me professor de yoga. Fiz minha graduação e pós-graduação acadêmica, por tanto tempo adiada. Comecei a correr, e já corri provas de distâncias variadas, 10, 20 e as famosas maratonas de 42 km. Corri ultra maratonas, provas acima de 50k e outras de aventuras, em condições de dificuldade aumentada. Muito divertidas, mas impossíveis há pouco tempo antes.

Neste processo, costumava dizer a mim mesmo que chegaria melhor aos 40 do que tinha chegado aos 30 anos, e consegui. Então lancei o desafio de chegar aos 50, que completo ano que vem, melhor que aos 40. Ficou mais difícil, o parâmetro subiu, mas acredito que vou conseguir. Mas agora já decidi, a meta para os 60 é estar tão bem quanto os 50. Já ta bom!

Vivo outra fase agora, a de dividir meu aprendizado com as outras pessoas. Através de aulas, cursos, workshops e conteúdos que publico diariamente no facebook, blog, youtube. Estou mudando de carreira profissional, para uma que me de mais prazer, alegria e uma percepção de importância na vida das pessoas.

 

Seguindo aquele entendimento antigo, que a felicidade está no caminho e não na chegada, busco qualificar meu dia de hoje, meu agora, a experiência de viver e as pessoas que me cercam.

 

Namaste!

(Meu ser divino interior te reconhece e te saúda como igual)