Estou meditando, e agora?

 

 

Já consigo sentar e entrar em atitude meditativa, por um tempo. Já consigo ter regularidade. Já defini um horário ideal que posso me dedicar a isso por uns 10 minutos pelo menos. E agora?

Agora é que começa a diversão!!!

Até agora, fazendo analogia com um avião, fizemos os procedimentos de decolagem, vai pra pista, se posiciona, acelera e sai do chão… Então começa a viagem.

Com a meditação é a mesma coisa. Quando entramos em um estado de contemplação, com a mente observadora e não mais julgadora, podemos começar a nos conhecer e fazer grandes descobertas.

Vamos explorar algumas escolas tradicionais de meditação?

 

Visão Indiana sobre meditação

 

Segundo o conhecimento do asthanga yoga, sabedoria antiga da India, que utilizam a meditação como filosofia de vida a milênios, temos 8 passos para atingir o ápice.

 

           1-Yamas – (mandamentos morais). Usar a meditação para observar as atitudes e ações moralmente erradas que realizamos sem perceber e buscar evita-las.

            2-Niyamas – (autopurificação pela disciplina). Buscar na disciplina a força para se manter no bom caminho, no acerto, na saúde e na paz.


3-Asana 
– (postura corporal do yoga). Executando-os se ganha saúde, liberta-se das deficiências físicas e das distrações mentais.

         4-Pranayama – (controle rítmico da respiração). Adquirimos mais energia e serenidade. Respirar é viver.

            5-Pratiahara – (libertação do domínio dos sentidos). Somente temos controle real sobre nossa vida quando controlamos nosso corpo e nossas sensações.

           6-Dharana – (concentração). A mente precisa ser imobilizada para atingir esse estado de absorção completa. A repetição de mantras ou a contagem das respirações ajudam nisso.

          7-Dhyana – (meditação).

          8-Samadhi – (estado de supraconsciência). Quando o meditador torna-se uno com o objeto de sua meditação. Seu corpo e sentidos ficam adormecidos, mas suas faculdades mentais e racionais estão alertas, estamos então totalmente consciente.

 

 

Legal né? Comentem suas percepções e resultados, para compartilharmos nosso aprendizado.

Meditação acessível a todos.

 

Todos conseguimos meditar?

Sim, todos.

Se descartarmos pessoas com alguma doença neurológica especifica, todos estão habilitados.

 

Então por que é tão difícil?

Porque é uma habilidade, como andar de bicicleta, dirigir um carro, correr, lavar louca. Precisamos de um tempo para assimilar a técnica e treinar se quisermos ser um bom praticante.

 

Mas o que é exatamente meditar e como sei que estou meditando?

Meditar é serenar a mente, adotar uma atitude contemplativa e observadora em relação a tudo o que acontece dentro de fora de nos. Existem várias técnicas e dicas que nos ajudam neste processo. Sabemos que estamos meditando quando conseguimos momentos, pelo menos, neste estado.

 

 

Então deixa eu te passar uma técnica bem simples e eficaz:

 

  1. Procure um local, se possível silencioso, para ficar por uns 10 minutos sem ser interrompido.
  2. Instale-se confortavelmente em uma posição que possa ser mantida pelo tempo necessário. Se não praticar yoga ou tiver bastante flexibilidade para posturas “ideais” opte por uma cadeira firme, sente um pouco afastada do encosto, apoie os dois pés no chão, coluna reta e mãos apoiadas nas pernas.
  3. Respirar tranquilamente, fechando os olhos e observar o movimento respiratório, contando as  inspirações e expirações  para ajudar na concentração. Ex. 1-inspira, 2-expira,… Até o 10 e retornando para o 1 novamente.
  4. Regra de ouro, apesar de todas as distrações, principalmente internas, retorne sempre para a contagem. Se se perder, recomece.

 

Este exercício, repetido se possível diariamente, vai te dar a percepção que é possível parar por um tempinho e o observar. Que dá para manter a posição de observador por um tempo. Que dá para meditar. Quando maior for à persistência melhor serão os resultados.

Vamos começar agora?

 

Neurociência comprova – “Meditação pode mudar o cérebro.”

Olá!

Abaixo, entrevista publicada no jornal The Washington Post, com Sara Lazar, neurocientista do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina de Harvard que comprovou alterações físicas, perceptíveis e mensuráveis no cérebro, alem de relatar sua experiencia pessoal.

Nossa experiência pessoal, de alunos e amigos praticantes de meditação nos dá certeza dos benefícios da meditação, mas não conseguiamos provar cientificamente.

 

Leitura dinâmica, agradável e de fácil entendimento. Vale a pena investir uns minutos na leitura.

 

Leia na integra a entrevista:

Sara Lazar, neurocientista do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina de Harvard, foi uma das primeiras cientistas a aceitar as subjetivas reinvindicações a respeito dos benefícios da meditação e atenção plena e a testa-los com o uso de tomógrafos computadorizados. O que ela encontrou a surpreendeu – que a meditação pode, literalmente, mudar seu cérebro. Ela explica:

 P: Porque você começou a prestar atenção para a meditação, atenção plena e o cérebro?

Lazar: Eu e uma amiga estávamos treinando para a maratona de Boston. Tive algumas lesões por esforço e procurei um fisioterapeuta, que me disse para parar de correr e apenas fazer alongamentos. Então comecei a praticar ioga como forma de fisioterapia. Percebi que era muito poderoso, que eu tinha benefícios reais, então fiquei interessada em saber como funcionava.

A professora de ioga usou de vários argumentos, dizendo que a ioga iria aumentar a compaixão e abrir o coração. E eu pensei: “ok,ok,ok, estou aqui para alongar”. Mas comecei a perceber que eu estava mais calma. Estava mais apta a lidar com situações mais difíceis. Estava mais compassiva e com o coração mais aberto, e capaz de ver as coisas pelo ponto de vista dos outros.

 

Pensei, talvez fosse apenas uma resposta placebo. Mas então fiz uma pesquisa bibliográfica da ciência, e vi evidências de que a meditação havia sido associada à diminuição do estresse, da depressão, ansiedade, dor e insônia, e ao aumento da qualidade de vida.

A essa altura, estava fazendo meu PhD em biologia molecular. Então simplesmente resolvi mudar e comecei a fazer essa pesquisa como um pós- doutorado.

P: Como você fez essa pesquisa?

Lazar: O Primeiro estudo avaliou meditadores de longa data versus um grupo controle. Descobrimos que o meditador de longa data tem a massa cinzenta aumentada na região da ínsula e regiões sensoriais do córtex auditivo e o sensorial. O que faz sentido. Quando você tem atenção plena, você está prestando atenção à sua respiração, aos sons, a experiência do momento presente, e fechando as portas da cognição. É lógico que seus sentidos sejam ampliados.

Também descobrimos que ele tem mais massa cinzenta no córtex frontal, o que é associado à memória de trabalho e a tomada de decisões administrativas.

Já está provado que nosso córtex encolhe a medida que envelhecemos – se torna mais difícil entender as coisas e se lembrar das coisas. Mas nessa região do córtex pré-frontal, meditadores com 50 anos de idade tinham a mesma quantidade de massa cinzenta que pessoas de 25 anos.

Então a primeira pergunta foi, bem, talvez as pessoas com mais massa cinzenta no estudo já tivessem mais massa cinzenta antes de terem começado a meditar. Então fizemos um segundo estudo.

Pegamos pessoas que nunca tinham meditado antes, e colocamos um grupo deles em um programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.

P: O que você descobriu?

Lazar: Descobrimos diferenças no volume do cérebro depois de oito semanas em cinco regiões diferentes dos cérebros dos dois grupos. No grupo que aprendeu meditação, encontramos um aumento do volume em quatro regiões:

  1. A diferença principal que encontramos foi no girocingulado posterior, o qual está relacionado às lembranças e auto regulação.
  2. O hipocampo da esquerda, o qual dá suporte ao aprendizado, cognição, memória e regulação emocional.
  3. A junção temporoparietal, ou JTP, à qual está associada à tomada de decisões, empatia e compaixão.
  4. Uma área do tronco do cérebro chamada de Ponte, onde muitos neurotransmissores reguladores são produzidos.

amigdala, a parte do cérebro responsável pelo instinto de ataque ou fuga, e que é importante nos aspectos da ansiedade, medo e estresse em geral. Essa área ficou menor no grupo que participou do programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.

A alteração na amigdala também foi associada a uma redução nos níveis de estresse.

P: Então por quanto tempo alguém precisa meditar até que comece a ver mudanças no seu cérebro?

Lazar: Nossos dados mostram mudanças no cérebro após apenas oito semanas.

Em um programa de atenção plena com foco na redução de estresse, nossos pesquisados participaram de uma aula por semana. Eles receberam uma gravação e foram solicitados a praticar por 40 minutos por dia em casa. E foi assim.

P: Então, 40 minutos por dia?

Lazar: Bem, foi altamente variável no estudo. Algumas pessoas praticaram 40 minutos todos os dias. Algumas praticaram menos. Algumas apenas umas duas vezes na semana.

No meu estudo, a média foi de 27 minutos por dia. Ou em torno de meia hora por dia.

Ainda não existem dados suficientes sobre quanto alguém precise praticar para se beneficiar.

Professores de meditação lhe dirão, apesar de não existir absolutamente nenhuma base científica para isso, que comentários de estudantes sugerem que 10 minutos por dia podem trazer benefícios subjetivos. Ainda precisamos testar.

Nós estamos apenas começando um estudo que, com grande esperança, nos permitirá acessar quais são os significados funcionais dessas mudanças. Estudos de outros cientistas mostraram que a meditação pode melhorar a atenção e a habilidade de regular a emoção. Mas a maioria dos estudos não foi com neuro imagens. Então agora estamos esperançosos em trazer o aspecto comportamental e a ciência da neuroimagem para trabalharem juntos.

Q: A partir do que já sabemos da ciência, o que você encorajaria os leitores a fazer?

Lazar: Atenção plena é similar a um exercício. É uma forma de exercício mental, na realidade. E assim como o exercício melhora a saúde, nos ajuda a administrar melhor o estresse  e promove longevidade, a meditação se propõe a partilhar alguns desses mesmos benefícios.

Mas, assim como o exercício, não pode curar tudo. Então, a ideia é de ser útil como uma terapia de apoio. Não é uma coisa em separado. Já foi usado com muitos outros distúrbios e os resultados variam tremendamente – impactam alguns sintomas, mas não todos.  Os resultados são às vezes modestos. E não funciona para todos.

Ainda está muito cedo para se tentar concluir o que a meditação pode ou não fazer.

P: Então, sabendo-se das limitações, o que você sugeriria?

Lazar: Parece sim ser benéfico para a maioria das pessoas. A coisa mais importante, se você for tentar fazer, é encontrar um bom professor. Porque é simples, mas também é complexo. Você precisa entender o que está acontecendo na sua mente. Um bom professor não tem preço.

P: Você medita? E você tem um professor?

Lazar: Sim e sim.

P: Que diferença fez em sua vida?

Lazar: Tenho feito isso por 20 anos, então tem uma influência profunda em minha vida. Dá muito “chão” (ancoragem). Reduz o estresse.  Ajuda-me a pensar mais claramente. É maravilhoso para interações interpessoais. Tenho mais empatia e compaixão pelas pessoas.

P: Qual a sua prática pessoal?

Lazar: Altamente variável. Alguns dias pratico 40 minutos. Alguns dias cinco minutos.  Alguns dias não pratico nada. É muito parecido com exercício. Exercitar-se três vezes por semana é maravilhoso. Mas se tudo o que você pode fazer é se exercitar um pouquinho todos os dias, isso também é uma coisa boa. Tenho certeza de que se praticasse mais me beneficiaria mais. Não tenho ideia se estou tendo mudanças no meu cérebro ou não.  E é isso que funciona para mim nesse momento.

 

Artigo publicado no Washington Post em 26/05/2015

 

Ser feliz com pouco!

De quanto precisamos para sermos felizes?

Serei feliz quando tiver um carro novo,  uma bicicleta. Fizer a viagem dos sonhos. Comprar o celular do lançamento. Serei feliz quanto fulano (a) me amar. Quando me aposentar. For morar num sitio. Etc…

Por que adiamos a felicidade, ou colocamos regras ou condições para que aconteça?

Porque colocamos no futuro, que é um lugar que nada acontece?

Minha proposta é:

“Sejamos felizes hoje, agora, neste instante”.

Com o que temos, com o que possuímos, com o que somos, com quem estivermos, onde estivermos, como estivermos.

Sejamos felizes com o sorvete de iogurte com amora, que maravilha! Com o dia sol. Com a chuva.

No trabalho? Sim, claro.

Ser feliz é um estado de espirito. Busquemos estar felizes sempre, e certamente, em muitos momentos conseguiremos.

Não disse que era fácil, mas é muito viável.

Vamos ser felizes!

Bem vindo ao nosso blog Calma, respira…

Pessoal, sejam bem vindos!!!

O blog nasceu como uma ponte entre alguns conhecimentos que temos, buscamos e desejamos compartilhar.

Falaremos sobre diversos assuntos e conteúdos que sejam uteis para vivermos bem, termos mais saúde física, mental, espiritual. Enfim, para que sejamos mais felizes.

Conto com a participação de vocês!