A natureza é preguiçosa.

Sim, e faz tudo sempre pela forma mais eficiente e econômica possível.

Tem uma série que vi no Netflix outro dia, feita por um matemático famoso para BBC de Londres, chamada de “The Code” que fala sobre a natureza do ponto de vista da matemática. Achei muito bom!  No mínimo vale assistir por ser um ponto de vista curioso e interessante.

Mas o que me fez escrever foi uma premissa básica que ele usa, “a natureza é preguiçosa e usa sempre a forma mais eficiente e econômica possível”. Isto me parece ser de concordância geral, observado tanto pelo agricultor humilde do campo como pelo cientista de famosa universidade.

A grama vai crescer no ritmo mais eficiente possível, o pássaro bater o menor numero de vezes as asas que puder e construir o ninho do tamanho mínimo para suportar os ovos. Tudo vai ser otimizado e utilizado com uma logica racional, mesmo que de forma natural, sem ação de aparente inteligência.

No yoga aprendemos  que também somos assim e nosso ego, que é o gerente geral, busca sempre o menor esforço, para nosso corpo, mente e espirito. O que é natural e respeitável, principalmente para quando éramos homo sapiens e vivíamos na savana africana, visto que precisávamos otimizar  ao máximo  a energia retirada dos alimentos  escassos e potencializar nossas capacidades. Não éramos nem os mais fortes, nem os mais rápidos, nem os mais resistentes, alias, éramos bem fraquinhos.

O que mudou é que aprendemos a fazer da nossa fraqueza nossa fortaleza e alcançamos a supremacia animal.  Agrupamo-nos, desenvolvemos técnicas e tecnologias, e mostramos ter uma tenacidade e persistência admirável, que com o passar dos milhares de anos nos fez ter este avanço fantástico! Indiscutível!

Hoje esta premissa nem sempre é benéfica, nem sempre nos ajuda. Pois atingimos uma evolução como sociedade que ela pode nos levar para a acomodação, sedentarismo e estados de sofrimento emocional.

Vemos muitas vezes pessoas vivendo pelo mínimo esforço e resultado, se acomodando em zonas de conforto e muitas vezes infelizes e sem “brilho nos olhos” ou vontade para sair da cama de manhã.

Também no yoga aprendi que o caminho deve ser percorrido todo o dia, que precisamos encontrar motivação para começar, que estar presente na ação faz a inspiração aparecer. E principalmente,  que manter-se em movimento, equilibrado e racional, nos manterá saudáveis, produtivos e mais gratificados.

Toda a pratica de Yoga Integral começamos  com um “parar”, fechar os olhos, observar nossa respiração, nosso corpo, pensamentos e sensações. Porque isto nos traz para o momento presente, nos tira do passado ou do futuro, nos desperta para os movimentos naturais de nosso corpo e nos prepara e motiva para seguir em frente. No caso, para o aprofundamento da experiência yogue, mas se quiser, para mergulhar no seu caminho, na sua experiência diária com mais inteireza, e garanto, com muito melhor resultados.

Namastê!

Conexão – Foco – Como usar ferramentas simples e ser mais eficaz e feliz.

 

Pensamos que foco e conexão, palavras tão presentes em nosso dia a dia, são coisas novas, invenções da modernidade, mas as tradições de China e India estudam e praticam isto a muito tempo.

Tem uma história atribuída a Sidarta Gautama, o Buda histórico, que exemplifica a importância da conexão.

Conta a história:

“Ele estava reunido com um grupo de discípulos quando um homem se apresentou e perguntou o que eles faziam no seu dia a dia, como era a rotina deles. Então ele contou que faziam coisas comuns, como todas as pessoas da época, como se reunir para comer, para conversar, caminhadas, etc.

O homem pareceu surpreso, pois esperava mais de um mestre iluminado.

Então o Buda fala:

-A diferença é que estamos totalmente presentes em cada coisa que fazemos, conectados com a experiência, com a vivência. Enquanto estamos comendo, nossa atenção esta voltada para isto, quando conversando, igual, e isto muda tudo”.

É muito comum este tipo de ensinamento dos mestres do yoga também, o tempo do yoga é o presente. Não existe yoga sem entrega e conexão.

Por isso, sempre que você começar alguma pratica, recomendo que seja dedicado algum tempo para o processo de conexão com a mesma, e basta tirar alguns minutos de parada, de preferencia com os olhos fechados, buscando fazer respirações profundas e afirmando mentalmente que este é o momento da determinada atividade e que esta será o foco do momento.

Durante a realização vamos reafirmando a autodeterminação.

 

Namaste!